terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Um salto de fé

Admito, sou "fã" de C.S. Lewis, mas nunca li As Crônicas de Nárnia.

Porém, me deparei com um trecho das tais recentemente que me chamou muito a atenção...

Estava lendo a Livaria do Thiago, especificamente o post "Crendo em Deus mesmo não tendo certeza de Sua existência", em que o autor destacava a seguinte fala do Brejeiro ("...um pessimista dos grandes, sempre prevendo as catástrofes mais sangrentas de deixar Quentin Tarantino no chinelo") em "A cadeira de prata":

"Por isso é que prefiro o mundo de brinquedo. Estou do lado de Aslam, mesmo que não haja Aslam. Quero viver como um narniano, mesmo que Nárnia não exista. Assim, agradecendo sensibilizado a sua ceia, se estes dois cavalheiros e a jovem dama estão prontos, estamos de saída para os caminhos da escuridão, onde passaremos nossas vidas procurando o Mundo de Cima. Não que as nossas vidas devam ser muito longas, certo; mas o prejuízo é pequeno se o mundo existente é um lugar tão chato como a senhora diz."

O propósito do post em questão era destacar que sim, a fé é acompanhada de dúvidas.

Chegando até mesmo a afirmar que devemos nos sentir felizes com nossas crises de fé, pois elas podem ser um momento de grande lucidez.

Por acaso, no mesmo dia eu estava lendo sobre Sören Kierkegaard.

Sören Kierkegaard foi um filosofo Dinamarquês que viveu pelos idos de 1800 e que já foi citado anteriormente neste blog, no post "Dor".

Uma das idéias mais famosas de Kierkegaard é "o salto de fé".

Kierkegaard defendia que "o salto" é a forma como agem os apaixonados e os que acreditam em Deus. Segundo ele, fé não é algo que pode ser baseado em evidências ou lógica, assim como não se ama uma pessoa por seu valor; de forma que não há qualquer lógica que possa justificar o comprometimento total tanto da verdadeira fé como do "amor romantico".

Fé, é se comprometer independente de qualquer coisa.

Diante disso, Kierkegaard defendia que sim, a fé é acompanhada da dúvida. Ele cria que uma pessoa que realmente tenha fé em Deus, é a mesma que as vezes passará por dúvidas quanto aos seus credos. A dúvida seria exatamente a parte racional da pessoa que mede as evidências, e sem ela a fé não teria substância.

Alguém que não perceba que a doutrinha Cristã é inerentemente "duvidosa", e que não há uma certeza objetiva com relação às suas verdades não teria fé então; sendo meramente "crédulo".

Não é necessário fé para se acreditar que uma caneta ou uma mesa existam, quando você pode vê-los e tocá-los. Seguindo o raciocínio, ter fé em Deus é saber que você não tem como ter um contato "evidente" com Deus, e ainda assim crer n'Ele.

Só é fé na medida em que você crê e assume um compromisso sem ter qualquer base objetiva para tanto.

A fé então é uma verdade subjetiva com a qual você assume um compromisso pessoal para a sua vida. É você quem confere valor a ela.

Realmente, é semelhante ao amor romantico.

Por essa ótica, as muitas referências à paixão, fogo, primeiro amor, noiva e etc., passam a ter um sentido até, especial, digamos.

Interessante o post do Thiago Bonfim.

Interessante a citação de C.S. Lewis.

Interessante as idéias de Sören Kierkegaard.

Interessante também...

...é a Bíblia.

Combustível para reflexão.

"A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus..." (Rm 14:22)

Soli Deo Gloria.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

A chave da liberdade (dos espinhos)


Referência ao post "Espinhos".

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"...Cristo nos libertou de muitas coisas (o aspecto negativo da liberdade). Mas, sempre que pensarmos sobre a liberdade, é importante pensar também no propósito para o qual somos libertos (o aspecto positivo).

Deixe-me agora desenvolver essa tese, de que a verdadeira liberdade é a liberdade para se ser um eu verdadeiro como Deus nos fez e desejou que fôssemos. Comecemos com o próprio Deus. Ele é o único ser que desfruta a perfeita liberdade. Você poderia argumentar que a liberdade de Deus não é perfeita, que ela por certo não é absoluta no sentido de que ele seja livre para fazer absolutamente qualquer coisa. Há algumas coisas que as Escrituras dizem que Deus "não pode" fazer. Ele não pode mentir, não pode pecar, não pode tentar nem ser tentado. Assim, a sua liberdade não é absoluta, mas é perfeita, porque Ele é livre para fazer qualquer coisa que queira. Todas as coisas que Deus não pode fazer dizem respeito à regra geral de que Ele não pode negar ou contradizer a si mesmo (2 Tm 2:13). Ele é sempre e inteiramente Ele mesmo. Não há nada arbitrário, nada mutável, nada impulsivo sobre Deus. Ele é sempre o mesmo. Ele nunca muda. Ele é firme e inabalável. Ele encontra sua liberdade em ser seu verdadeiro eu como Deus. Se contradissesse a Si mesmo, Ele se autodestruiria e deixaria de ser Deus. Mas, ao contrário, Ele continua sendo Ele mesmo e nunca se desvia do seu próprio ser. Como seria o inverso, se Deus por um momento deixasse de ser inteiramente Ele mesmo?

Passemos agora de Deus, o Criador, para todas as criaturas, e descobriremos o mesmo princípio operante. A liberdade absoluta, ilimitada, é uma ilusão, uma impossibilidade. A liberdade de todas as criaturas está limitada por sua própria natureza criada. Tomemos o claro exemplo de um peixe. Deus criou o peixe para viver e crescer no ambiente aquático. Suas guelras são adaptadas para absorver oxigênio da água. Eles encontram a sua liberdade de serem eles mesmos dentro do elemento no qual um peixe encontra sua essência, sua identidade, sua liberdade. Observe que a água impõe uma limitação ao peixe, mas nessa limitação está a liberdade. A sua liberdade é ser ele mesmo dentro dos limites que o Criador lhe impôs. Imaginemos uma daquelas tigelas esféricas para peixes. Suponhamos que um peixinho nade dentro dela de um lado para o outro, até que sinta sua frustração chegar a um ponto insustentável e decida apostar na liberdade saltando do aquário. Se ele conseguisse cair em uma lagoa num jardim, sua liberdade aumentaria. Ele estaria na água, mas haveria muito mais água na qual nadar. Porém, se ele caísse sobre o concreto ou sobre um tapete, sua aposta por liberdade se tornaria em morte. O peixe só pode encontrar a liberdade dentro do elemento para o qual foi criado.

Voltemo-nos agora para os seres humanos. Se os peixes foram feitos para a água, para que foram feitos os seres humanos? Por certo a resposta bíblica é que, se os peixes foram feitos para a água, os seres humanos foram feitos para amar a Deus e o próximo. O amor é o elemento no qual os seres humanos encontram a sua distintiva humanidade. Robert Southwell, poeta católico romano do século 16, escreveu: "Eu vivo, não onde respiro, mas onde amo". Ele estava reproduzindo, de maneira consciente, a declaração de Agostinho de que a alma vive quando ama, não quando existe. Uma existência autenticamente humana é impossível sem amor.

Isso nos leva a um paradoxo surpreendente. Deixe-me declará-lo simplesmente assim: a verdadeira liberdade é a liberdade de ser o meu eu verdadeiro, como Deus me fez e planejou que eu fosse. Mas Deus me fez para amar, e amar é dar, dar de si. Portanto, para que eu seja eu mesmo, tenho de negar-me a mim mesmo e dar de mim em amor a Deus e aos outros. A fim de ser livre, tenho de servir. A fim de viver, tenho de morrer para a minha própria autocentralidade. A fim de me encontrar, tenho de perder a mim mesmo no amor. Li certa vez que Michelangelo expressou esse conceito maravilhosamente nestas palavras: "Quando sou teu, então, por fim, sou completamente eu mesmo". Não sou eu mesmo até que seja teu (de Deus e dos outros).

Assim, a liberdade é exatamente o oposto do qua a maioria das pessoas pensa que ela seja. Lembro-me de um estudante finlandês da Universidade de Helsinki que me disse: "Tão somente se eu estivesse livre de responsabilidade para com Deus e para com as outrs pessoas, eu poderia viver para mim mesmo. Então eu seria livre". Mas a verdadeira liberdade é o oposto. É a libertação de uma preocupação com o meu pequeno eu, tolo, a fim de ser livre para amar a Deus e ao meu próximo.

O próprio Jesus ensinou esse paradoxo fundamental da liberdade. Ele disse: "quem quiser salvar a sua vida, a perderá; mas quem perder a sua vida por minha causa e pelo evangelho, a salvará" (Mc 8:35).

Eu costumava pensar que Ele estivesse se referindo a mártires e ao fato de se perder ou ganhar, literal e fisicamente, a vida; mas o substantivo grego traduzido como "vida" é psyche, que em muitos contextos é melhor traduzido por "eu". Ou pode significar "você mesmo". Uma tradução moderna poderia ser:

Se você insistir em agarrar-se a si mesmo e viver para si mesmo, e recusar-se a deixar que o seu ego se vá, você se perderá. Mas, se você estiver preparado para se perder, para dar-se a si mesmo por amor a Deus e aos seus semelhantes, então, nesse momento de completo abandono, quando você pensar que perdeu todas as coisas, o milagre acontecerá e você encontrará a si mesmo.


Cristo é a chave para a liberdade, e essa é a quinta razão por que sou Cristão."

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Religião e Alucinação - Ricardo Gondim (e Mafalda?)

Arte retirada de: Diversitá - Esperando da Vida

"Tenho muita pena dos crédulos. Chego a chorar por mulheres e homens ingênuos; os de semblante triste que lotam as magníficas catedrais, na espera de promessas que nunca se cumprirão. Estou consciente de que não teria sucesso se tentasse alertá-los da armadilha que caíram. A grande maioria inconscientemente repete a lógica sinistra do, “me engana que eu gosto”.

Se pudesse, eu diria a todos que não existe o mundo protegido dos sermões. Só no “País da Alice” é possível viver sem perigo de acidentes, sem possibilidade da frustração, sem contingência e sem risco.

Se pudesse, eu diria que não é verdade que “tudo vai dar certo”. Para muitos (cristãos, inclusive) a vida não “deu certo”. Alguns sucumbiram em campos de concentração, outros nunca saíram da miséria. Mulheres viram seus maridos agonizarem sob tortura. Pais sofreram em cemitérios com a partida prematura dos filhos. Se pudesse, advertiria os simples de que vários filhos de Deus morreram sem nunca ver a promessa se cumprir.

Se pudesse, eu diria que só nos delírios messiânicos dos falsos sacerdotes acontecem milagres aos borbotões. A regularidade da vida requer realismo. Os tetraplégicos vão ter que esperar pelos milagres da medicina - quem sabe, um dia, os experimentos com células tronco consigam regenerar os tecidos nervosos que se partiram. Crianças com Síndrome de Down merecem ser amadas sem a pressão de “terem que ser curadas”. Os amputados não devem esperar que os membros cresçam de volta, mas que a cibernética invente próteses mais eficientes.

Se pudesse, eu diria que só os oportunistas menos escrupulosos prometem riqueza em nome de Deus. Em um país que remunera o capital acima do trabalho, os torneiros mecânicos, os motoristas, os cozinheiros, as enfermeiras, os pedreiros, as professoras, vão ter dificuldade para pagar as despesas básicas da família. Mente quem reduz a religião a um processo mágico que garante ascensão social.

Se pudesse, eu diria que nem tudo tem um propósito. Denunciaria a morte de bebês na Unidade de Terapia Intensiva do hospital público como pecado; portanto, contrária à vontade de Deus. Não permitiria que os teólogos creditassem na conta da Providência o rio que virou esgoto, a floresta incendiada e as favelas que se acumulam na periferia das grandes cidades. Jamais deixaria que se tentasse explicar o acidente automobilístico causado pelo bêbado como uma “vontade permissiva de Deus”.

Se pudesse, eu pediria as pessoas que tentassem viver uma espiritualidade menos alucinatória e mais “pé no chão”. Diria: não adianta querer dourar o mundo com desejos utópicos. Assim como o etíope não muda a cor da pele, não se altera a realidade fechando os olhos e aguardando um paraíso de delícias.

Estou consciente de que não serei ouvido pela grande maioria. Resta-me continuar escrevendo, falando… Pode ser que uns poucos prestem atenção.

Soli Deo Gloria."

Religião e Alucinação - Ricardo Gondim

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Espinhos

Thorns III de moijra

Faço parte de um estudo bíblico sobre a liderança de Jesus baseado no Evangelho de Marcos. Tem sido muito proveitoso.

Recentemente, começamos a estudar as parábolas, e a do semeador em especial me chamou a atenção.

Marcos 4:1-9
"E outra vez começou a ensinar junto do mar, e ajuntou-se a ele grande multidão, de sorte que ele entrou e assentou-se num barco, sobre o mar; e toda a multidão estava em terra junto do mar.

E ensinava-lhes muitas coisas por parábolas, e lhes dizia na sua doutrina:


Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear. E aconteceu que semeando ele, uma parte da semente caiu junto do caminho, e vieram as aves do céu, e a comeram; e outra caiu sobre pedregais, onde não havia muita terra, e nasceu logo, porque não tinha terra profunda; mas, saindo o sol, queimou-se; e, porque não tinha raiz, secou-se. E outra caiu entre espinhos e, crescendo os espinhos, a sufocaram e não deu fruto. E outra caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu; e um produziu trinta, outro sessenta, e outro cem.

E disse-lhes: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça."

Dentre as pessoas expostas no "conto", poderíamos nos ater no frutífero, o da "boa terra", mas, a que mais me chama a atenção é a pessoa anterior a esta.

A que nasce, cresce, mas antes que frutifique, é sufocada por espinhos.

Jesus, depois, explica a parábola, e a pessoa em questão, da seguinte forma:

Marcos 4:18-19
"E outros são os que recebem a semente entre espinhos, os quais ouvem a palavra; mas os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera."

Acho que a maioria dos "cristãos" se encaixam nesse caso. Ou ao menos, os "cristãos nominais".

Saindo da parábola para um exemplo mais prático, como seria essa pessoa?

Você talvez. O seu vizinho. Aquele seu amigo da Escola Bíblica Dominical.

Mas vamos a um exemplo mais "bíblico"...

Eclesiastes 2:4-11
"Fiz para mim obras magníficas; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas.
Fiz para mim hortas e jardins, e plantei neles árvores de toda a espécie de fruto.
Fiz para mim tanques de águas, para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores.

Adquiri servos e servas, e tive servos nascidos em casa; também tive grandes possessões de gados e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém.
Amontoei também para mim prata e ouro, e tesouros dos reis e das províncias; provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens; e de instrumentos de música de toda a espécie.

E fui engrandecido, e aumentei mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria.
E tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma; mas o meu coração se alegrou por todo o meu trabalho, e esta foi a minha porção de todo o meu trabalho. E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol."

Assume-se que o livro de Eclesiastes tenha sido escrito por Salomão, mas, seja lá quem o tiver escrito, podemos observar que esse indivíduo, como o nosso conhecido da parábola, buscou "os cuidados deste mundo", foi rico e ambicioso...

Teve terras, mulheres, servos, bebida, riqueza. Pode-se dizer que era uma hedonista praticamente.

Tudo que todo mundo quer, não?

Mas, após obter tudo isso, o que encontramos é alguém "insatisfeito", que no fim, julga que de tudo isso "não há proveito algum debaixo do sol".

Interessante.

Me lembra casos diversos de pessoas que tiverem todo o sucesso do mundo, como jogadores de futebol, atores, e empresários; que talvez não tenham tido a mesma percepção do escritor de eclesiastes, mas com certeza se depararam com a mesma insatisfação (como podemos observar pela vida que levam).

Ou, até mesmo, o pai de família de classe média, com 2 filhos, carro novo a cada 2 anos, e uma linda esposa; que por algum motivo, é tão insatisfeito quanto os de cima, e então se aventura em casos extraconjugais, etc etc.

Pessoas assim, lutam por tudo que "seus olhos desejam" (e algumas conseguem), e não costumam negar os desejos e anseios de seus "corações".

Mas sempre continua faltando algo. Nada satisfaz.

Ao meu ver, o que acontece é que...

Todas essas coisas são passageiras, nenhuma delas satisfaz "de fato", e, pra piorar, elas ainda "aprisionam".

São os espinhos que sufocam.

São as correntes que prendem.

São as mentiras que enganam.

Não há nem liberdade real nem satisfação real em tais coisas.

Mas então, onde é que achamos isso?

João 8:32
"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará."

Ainda no livro de João, no verso 38 do capítulo 18, Pilatos se faz a mesma pergunta que muitos de nós fazemos dia após dia...

"Que é a verdade?"

Qual é a verdade? O que realmente importa? Qual o sentido da vida? O que é que eu devo fazer com a minha vida?

Jesus já havia respondido essa pergunta.

"Eu sou o caminho, a verdade, e a vida" (Jo 14:6)

Ele é a resposta.

A Palavra nos ensina que somente agindo como um corpo, cuja cabeça é Cristo é que atingimos "a estatura de varão perfeito". (Ef 4:11-16)

A mesma Palavra, nos ensina que somos como "peregrinos em terra estranha", não somos daqui (Jo 17:14), e que tudo "dessa terra" é corruptível e passageiro...

Mateus 6:19
"Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam"

E não é?

O escritor de Eclesiastes percebeu isso. Ele percebeu que no fim, ele ia morrer igual aos outros. E que suas posses iam passar adiante pra outra pessoa, que talvez nem as merecesse. Ele percebeu que tudo era cansativo e que no fim nada "valia a pena", era tudo "correr atrás de vento".

E ficou cansado. Desiludido.

Assim como os nossos amigos "estrelas" ou "pais de família", que vivem insatisfeitos, cansados, gerando todo um mercado para psicólogos e livros de auto-ajuda.

Mas a resposta é...

Mateus 11:29-29
"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas."

Só Ele pode dar descanso às nossas almas. Só Ele nos ensina a "viver".

Somente quando nos colocamos sob o Seu jugo; quando colocamos nossas vidas "no centro de Sua vontade" é que achamos descanso.

No evangelho de João, capítulo 4, encontramos o caso de uma mulher samaritana, que não somente lutava para saciar sua sede natural indo ao poço dia após dia, como também sua sede emocional. Essa mulher já tivera 5 maridos e não conseguia "parar quieta".

Jesus afirma para essa mulher, que estava ali no poço, que "qualquer que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna." (Jo 4:13-14)

Só por meio d'Ele que podemos realmente nos satisfazer. Sob o jugo d'Ele.

Lucas 9:23-25
"E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará. Porque, que aproveita ao homem ganhar o mundo todo, perdendo-se ou prejudicando-se a si mesmo?"

Esse é o convite que Ele faz.

Tomar a sua cruz e o seguir.

Andar, como Ele andou. (1 Jo 2:6)

Morrer, como Ele morreu. (Rm 6:4)

Para vivermos eternamente, como Ele vive. (Rm 6:8)

Se vivermos para nos saciar, preocupados com as coisas deste mundo, tendo como "razão de ser" o nosso próprio "eu"; nosso fim será não somente a morte, mas uma vida vazia, sempre incompleta.

Sempre insastisfeitos. Sempre com sede.

Mas, a partir do momento que vivermos não mais para nós, mas para Ele; que morrermos para esse mundo, e nascermos denovo, numa vida de imitação a Cristo por amor...

Teremos ganho tudo.

Mateus 6:25-33
"Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?

Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?

E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura? E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos?

Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; e eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?


Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? (Porque todas estas coisas os gentios procuram). De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas."


Não deixemos os espinhos (as coisas deste mundo) sufocarem as nossas vidas. Coloquemos Deus em primeiro lugar; demos a Ele o espaço para fazer Sua obra em nossas vidas. Só assim teremos vidas plenamente frutíferas.

Meditemos nisso.

Soli Deo Gloria.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Sobre luzes, espelhos e defeitos (ou, "quem será que está errado mesmo?")


"...Depois, numa hora de quietude, um estranho pensamento me ocorreu feito um raio. De repente me entrara na cabeça outra explicação. Suponhamos que ouvíssemos muita gente fazendo menções a um desconhecido. Suponhamos que ficássemos intrigados por ouvir alguns dizendo que ele era alto demais; outros, baixo demais. Alguns faziam objeções à sua obesidade; outros, lamentavam sua magreza. Alguns o achavam escuro demais; outros, louro demais.


Uma explicação (como já se admitiu) seria que ele fosse uma figura estranha. Mas há outra explicação. Ele poderia ser a figura certa. Homens exageradamente altos poderiam achá-lo baixo. Homens demasiado baixos poderiam achá-lo alto. Velhos machões a caminho da corpulência poderiam considerá-lo fisicamente mal fornido; velhos janotas a caminha da fraqueza poderiam sentir que ele se encorpara excedendo as linhas minuciosas da elegância. Talvez os suecos (que têm o cabelo amarelo como uma espiga de milho) o chamassem de pardo, ao passo que os negros o consideravam distintamente louro.

Talvez, em suma, essa coisa extraordinária seja realmente a coisa ordinária; pelo menos a coisa normal, o centro. Talvez, no fim das contas, o cristianismo fosse sadio e todos os seus críticos fossem loucos - de maneiras variadas.

Eu testei essa idéia perguntando-me se havia nalgum dos acusadores algo mórbido que pudesse explicar a acusação. Fiquei chocado ao descobrir que essa chave se encaixava na fechadura. Por exemplo, era certamente estranho que o mundo moderno acusasse o cristianismo simultaneamente de austeridade física e de pompa artística. Mas era também estranho, muito estranho, que o próprio mundo moderno combinasse um luxo físico extremo com uma extrema ausência de pompa artística.

(...)

Examinei todos os casos e vi que a chave se encaixava. O fato de Swinburne ter-se irritado com a infelicidade dos cristãos e depois mais ainda com a felicidade deles era fácil de explicar. Já não se tratava de uma complicação de enfermidades do cristianismo, mas de uma complicação de enfermidades de Swinburne. As limitações dos cristãos o aborreciam simplesmente porque ele era mais hedonista do que alguém sadio deveria ser. A fé cristã o aborrecia porque ele era mais pessimista do que alguém sadio deveria ser. Da mesma maneira os malthusianos atacavam por instinto o cristianismo, não porque haja nele algo de antimalthusiano, mas porque há algo de anti-humano no malthusianismo."


Para refletir:

João 3: 16-21
"Pois assim amou Deus ao mundo, que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele.

Quem nele crê, não é julgado; o que não crê, já está julgado, porque não crê no nome do Filho unigênito de Deus. O juízo é este, que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; pois eram más as suas obras. Porquanto todo aquele que pratica o mal, aborrece a luz, e não vem para a luz, a fim de que as suas obras não sejam argüidas; mas aquele que faz o bem, chega-se para a luz, a fim de que sejam manifestas as suas obras, que têm sido feitas em Deus."

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Algernon Charles Swinburne | 05/04/1837 - 10/04/1909 :

Foi um poeta inglês do período Vitoriano. Sua poesia foi muito controversa para o seu tempo, tendo temas reocorrentes de sado-masoquismo, desejo de morte, lesbianismo, e uma postura anti religiosa.

Considerado um "poeta decadente", diz-se que ele falava mais do que fazia, como atesta Oscar Wilde, que disse que Swinburne era "um amostrado em termos de vícios, que fez tudo que podia para convencer os outros de sua homossexualidade e bestialidade sem ser nem um pouco homossexual ou bestial".

Thomas Robert Malthus | 13/02/1766 - 23/12/1834 :

Economista político inglês, famoso por suas pessimistas teorias de crescimento populacional.

Encontrou alguns de seus mais fortes críticos no movimento Marxista. Engels dizia que o pensamento malthusiano era "a mais crua e bárbara teoria já criada, um sistema de desespero que ataca todas as belas frases sobre o amor ao próximo e a cidadania mundial".

Lenin também o criticou, afirmando que se tratava de "uma doutrina reacionária" e "uma tentativa por parte dos ideologistas burgueses de exonerar o capitalismo e provar a inevitabilidade da pobreza e miséria da classe operária em qualquer sistema econômico".

Gilbert Keith Chesterton | 29/05/1874 - 14/06/1936 :

Foi um influente escritor inglês do começo do século 20. Suas obras diversas abrangem o jornalismo, filosofia, poesia, biografias, apologética Cristã, fantasy e histórias de detetive.

Sua obra, de grande impacto, colaborou para a conversão de C.S. Lewis ao Cristianismo, e influenciou escritores diversos como Ernest Hemingway, Graham Greene, Harold Bloom, Frederick Buechner, Evelyn Waugh, Jorge Luis Borges, Gabriel García Márquez, Karel Čapek, David Dark, Paul Claudel, Dorothy L. Sayers, Agatha Christie, Andrew Greeley, Sigrid Undset, Ronald Knox, Kingsley Amis, W. H. Auden, Anthony Burgess, E. F. Schumacher, Orson Welles, Dorothy Day, Gene Wolfe, Tim Powers, Garry Wills, David D. Friedman, Neil Gaiman e Franz Kafka.

O renomado autor cristão Philip Yancey, afirmou que se pudesse ter apenas um livro além da Bíblia, poderia muito bem ser Ortodoxia, de G. K. Chesterton.

O livro "Good Omens" dos populares escritores de fantasia Neil Gaiman (Sandman) e Terry Pratchett (Discworld) é "dedicado à memória de G. K. Chesterton: Um homem que sabia das coisas".

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Teologia, Denominações, Verdades, Igreja.

Recentemente me veio o desejo de adquirir uma nova bíblia de estudos. Em inglês.

Então, como todo "bom consumidor", comecei a pesquisar quais eram os diversos modelos disponíveis e suas características. Mas, não é como se vendedores oferecessem a visão mais objetiva de seus produtos, então, fui atrás de descobrir o que os compradores diziam sobre os modelos que me chamaram atenção.

E não gostei do que vi.

Não falo das análises críticas sobre qualidade de papel, capa, construção e tudo mais.

O que não me agradou foi a "guerra aberta" entre calvinistas e arminianos.

Cada um dizendo que tal versão da bíblia era melhor por se encaixar em SUAS doutrinas.

E aí, isso me lembrou meu post passado.

Religiosidade...

É engraçado, de uma forma meio "irônica", mas é...

Cristo veio nos libertar das "correntes" da "religiosidade".

Ele veio nos motrar a verdade. Ele era e É a verdade.

A Palavra feita carne. O Logos. O Verbo.

E aí, nós, que nos dizemos seus seguidores, vamos e fazemos o contrário da Sua vontade.

Abandonamos algumas correntes...

Mas ao invés de abraçar a liberdade em Cristo...

Corremos para comprar correntes novas.

Ai ai.

Para completar, hoje resolvi ler um pouco da primeira epístola aos Coríntios, não pensei em motivo algum para lê-la, apenas, decidi.

Eu não pensei, mas é claro que eu dei de cara com o seguinte texto...

1 Coríntios 1:10-13
"Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer.

Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da família de Cloé que há contendas entre vós. Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo.

Está Cristo dividido? Foi Paulo crucificado por vós? Ou fostes vós batizados em nome de Paulo?"

E é claro que isso me fez lembrar tudo que foi dito acima.

C.S. Lewis defende que relacionamentos começam quando achamos no outro uma "verdade em comum".

Nós temos o mesmo gosto por algo.

Praticamos a mesma atividade.

Cremos nas mesmas coisas.

Exemplos de "verdades".

A intensidade dos nossos relacionamentos então, se dá na proporção da intensidade das verdades que temos em comum.

Então quanto mais eu me importo com algo em comum que eu tenho com aquela pessoa, mais forte seria o meu relacionamento com ela... mais intenso.

Agora, vamos olhar para um "contexto" Cristão.

Cristo nos diz que um dos dois maiores mandamentos é "amar a Deus acima de todas as coisas". E, Ele também afirma que Ele é "a verdade, o caminho, e a vida".

Então, supostamente, "a verdade mais intensa" de um "cristão" deveria ser o próprio Cristo.

Nós deveríamos nos unir em torno de Cristo.

O que dizer então, quando pessoas dizem seguir Cristo, mas se separam em grupos isolados por outros credos?

Porquê, na mesma rua, temos duas igrejas vizinhas, de denominações diferentes, ao invés de uma única grande igreja?

Por quê, eu vou ler opiniões sobre uma Bíblia e encontro discussões e BRIGAS entre Arminianos e Calvinistas?

Acima de tudo, não somos... Cristãos?

Ou será que "a grande verdade" de nossas vidas é um cojunto de doutrinhas que nos agrada, ao invés de Cristo?

Será que acima de cristão eu sou batista ou calvinista?

Paulo já dizia...

1 Coríntios 2:5
"Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus."

1 Coríntios 3:11
"Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens?

Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; porventura não sois carnais?

Pois, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um? Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento.

Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho. Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus.

Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo."

Que a vossa fé não se apoie, não se defina, por sabedoria humana. E sim em Deus.

Nenhum outro fundamento além do que já está posto posto. Jesus Cristo.

1 Coríntios 3:21-23
"Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso; seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro; tudo é vosso, e vós de Cristo, e Cristo de Deus."

Examinai tudo, retém o bem, irmãos.

É preocupante quando gastamos nosso tempo discutindo sobre coisas que não levam à salvação ou edificação, e, quanto nosso entusiasmo e energia são voltados a defender Wesley, Calvino, Lutero ou qualquer outro ao invés do Cristo.

Afinal...

Isso tudo realmente importa tanto assim?

Qual o nosso bem mais preciso se não a salvação que nos é dada graciosamente em Cristo Jesus?

Todo o resto... não é apenas... resto?

E, será que todos temos que ser completamente iguais?

Cristo não "recrutou" pescadores, cobradores de impostos e médicos?

Essas diferenças não parecem importar tanto quando somos iguais aonde interessa... que é Cristo.

Romanos 14:2-9
"Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes.
O que come não despreze o que não come; e o que não come, não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu.

Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar.

Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus.

Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor. Porque foi para isto que morreu Cristo, e ressurgiu, e tornou a viver, para ser Senhor, tanto dos mortos, como dos vivos."

Ele é Senhor de uns e de outros irmãos. Tem coisas que importam e coisas que não importam tanto assim... vamos dar o devido valor a cada uma.

Nos unir por aquilo pelo qual devemos nos unir.

E não deixar NADA nos separar.

Romanos 14:17
"Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo."

O Reino não é de contenda e discussões teológicas. O reino não é feito de panelinhas.

E amados...

Que tal lembrar do já dito "examinai tudo, retém o bem" ?

Romanos 15:4-6
"Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança.

Ora, o Deus de paciência e consolação vos conceda o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus. Para que concordes, a uma boca, glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo."

O que foi escrito, foi escrito para o ensino, sim.

Mas, para gerar em nós esperança, consolo...

E é muito interessante a parte que fala em ter o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus.

Assim como a parte que fala em glorificar em uma só voz à Deus.

Mesmo sentimento.

Uma só voz.

Já questionamos a razão por trás de nossos atos e o que é que nos define...

Apenas, mais uma vez, peço que reflitam se não estamos "trocando as bolas".

E para terminar, quero deixá-los com o texto maravilhoso do irmão "Tonho" do movimento Underground:

"Essa noite, eu tive um sonho de sonhador, sonhei com uma igreja esquisita. Ela não tinha muros, piso, púlpito, bancos ou aparelhagem de som. A igreja era só as pessoas. E as pessoas não tinham títulos ou cargos, ninguém era chamado de líder, pois a igreja tinha só um líder, o Messias. Ninguém era chamado de mestre, pois todos eram membros da mesma família e tinham só um Mestre. Tampouco alguém era chamado de pastor, apóstolo, bispo, diácono ou Irmão. Todos eram conhecidos pelos nomes, Maria, Pedro, Afonso, Julia, Ricardo...

Todos os que criam pensavam e sentiam do mesmo modo. Não que não houvesse ênfases diferentes, pois Tiago dizia: “Vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem das obras, para que ninguém se glorie”, enquanto Paulo dizia: “A pessoa é aceita por Deus por meio das suas obras e não somente pela fé”. Mas, mesmo assim, havia amor, entendimento e compreensão entre as pessoas e suas muitas ênfases.

Não havia teólogos nem cursos bíblicos, nem era necessário que ninguém ensinasse, pois o Espírito ensinava a todos e cada um compartilhava o que aprendia com o restante. E foi dessa forma que o Agenor, advogado, aprendeu mais sobre amor e perdão com Dinorá, faxineira.

Não havia gente rica em meio a igreja, pois ninguém possuía nada. Todos repartiam uns com os outros as coisas que estavam em seu poder de acordo com os recursos e necessidades de cada um. Assim, César que era empresário, não gastava consigo e com sua família mais do que Coutinho, ajudante de pedreiro. Assim todos viviam, trabalhavam e cresciam, estando constantemente ligados pelo vínculo do amor, que era o maior valor que tinham entre eles.

Quando eu perguntei sobre o horário de culto, Marcelo não soube me responder e disse que o culto não começava nem acabava. Deus era constantemente cultuado nas vidas de cada membro da igreja. Mas ele me disse que a igreja normalmente se reunia esporadicamente, pelo menos uma vez por semana em que a maioria podia estar presente. Normalmente era um churrasco feito no sítio do Horácio e da Paula, mas no sábado em que eu participei, foi uma macarronada com frango na casa da Filomena. As pessoas iam chegando e todos comiam e bebiam o suficiente.

Depois de todos satisfeitos, Paulo, bem desafinado, começou a cantar uma canção. Era um samba que falava de sua alegria de estar vivo e de sua gratidão a Deus. Maurício acompanhou no cavaquinho e todos cantaram juntos. Afonso quis orar agradecendo a Deus e orou. Patrícia e Bela compartilharam suas interpretações sobre um trecho do evangelho que estavam lendo juntas. Depois foi a vez de Sueli puxar uma canção. Era um bolero triste, falando das saudades que sentia do marido que havia falecido há pouco tempo. Todos cantaram e choraram com ela. Dessa vez foi Tiago que orou. Outras canções, orações, hinos e palavras foram ditas e todas para edificação da igreja.

Quando o sol estava se pondo, Filomena trouxe um enorme pão italiano e um tonelzinho com um vinho que a família dela produzia. O ápice da reunião havia chegado, pela primeira vez o silêncio tomou conta do lugar. Todos partiram o pão, encheram os copos de vinho e os olhos de lágrimas. Alguns abraçados, outros encurvados, todos beberam e comeram em memória de Cristo.

Acordei com um padre da Inquisição batendo à minha porta. Junto dele estavam pastores, bispos, policiais, presidentes, ditadores, homens ricos e um mandado de busca. Disseram que houvera uma denúncia e que havia indícios de que eu era parte de um complô anarquista para acabar com a religião. Acusaram-me de freqüentar uma igreja sem líderes, doutrina ou hierarquia; me ameaçaram e falaram: “Ninguém vai nos derrubar!”. Expliquei: “Vocês estão enganados, não fui a lugar nenhum, não encontrei ninguém ou participei de nada... aquela é apenas a igreja dos meus sonhos”."

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Religião - Mark Driscoll

Mark A. Driscoll, nascido em 1970, é pastor e co-fundador da Mars Hill Church (não confundir com Mars Hill Bible Church) em Seattle, Washington.

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"A religião nunca leva à alegria.

Ou à humildade.

Por que ela faz uma longa lista de regras que não estão na Bíblia.

Se você as obedece, se torna um canalha, santarrão, arrogante.

Você se acha melhor que todo mundo.

E, se você for honesto, vai ver que nem joga pelas próprias regras, e é um hipócrita completo.

E fica totalmente deprimido.

Quantos já viveram essa vida?

"Não sou bom o suficiente, não consigo. Eu me esforço, não sou perfeito. Talvez eu não seja eleito, ou Deus não me ame, talvez não haja esperança pra mim. Eu tento a religião e simplesmente não consigo."

Ou:

"Eu não bebo, fumo ou chingo, sou uma pessoa de Deus!"

Não!

"Você é cheio de orgulho!"

É o que Deus dirá quando te chutar do céu."

Para ver mais...

Só dar o play =)


sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

T'shuva

Teshuva/T'shuva (תשובה, literalmente "voltar")

Atonement to Jews means to repent and set aside, and the word "T'shuvah" used for atonement actually means "to return". Judaism is optimistic in that it always sees a way that a determined person may return to what is good, and that God waits for that day too. (Christianity and Judaism - Wikipedia)

Expiação para os Judeus significa se arrepender e deixar, e a palavra "T'shuvah" usada para tanto na verdade significa "retornar". O Judaísmo é otimista em que sempre enxerga uma forma pela qual uma determinada pessoa possa voltar para o que é bom, e que Deus também espera por esse dia.

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Trecho do livro "Repintando a Igreja: Uma visão contemporânea" do Pr. Rob Bell:

"... a recriação desse mundo é o motivo por que a primeira mensagem de Jesus começa com:

T'shuva, pois o Reino dos Céus está próximo (Mateus 4:17).

A palavra hebraica t'shuva significa "voltar". Voltar para o povo que nós fomos criados para ser originalmente. O povo em que Deus está nos transformando.

Deus nos faz à sua imagem. Nós refletimos a beleza, a criatividade e a maravilha do Deus que nos fez. E Jesus nos chama para voltar para a nossa verdadeira personalidade. O povo íntegro e puro que Deus pretendia inicialmente que fôssemos, antes de mudarmos de rumo.

Em algum lugar escondido em nós está a pessoa que fomos criados para ser.

Cada um de nós precisa ser o seu próprio eu.

Ninguém precisa de um segundo alguém. Todos nós precisamos de nosso primeiro eu.

O problema é que a imagem de Deus está profundamente arranhada em cada um de nós e perdemos a confiança na versão divina de nossa história. Ela parece boa demais para ser verdade. Por isso, saímos à procura de identidade. Realizamos, progredimos, desempenhamos, compramos, nos exercitamos e alcançamos resultados ótimos, ansiosos por reparar a imagem. Ansiosos por encontrar uma identidade que se sinta bem.

Ansiamos por ficar à vontade em nossa própria pele.

Mas o que procuramos não está em outro lugar. Está bem aqui. E nós só podemos encontrar quando desistimos de procurar, quando nos rendemos, quando confiamos.

Confiamos que Deus já está nos reconstituindo.

Confiamos que pela morte do velho, o novo pode nascer.

Confiamos que Jesus pode restaurar a imagem arranhada e partida.

É confiando que sou amado. Que sempre fui. Que sempre serei. Não tenho de fazer nada. Não tenho de provar nada, nem de realizar coisa alguma, tampouco de conquistar nada. Exatamente como sou, eu sou completamente aceito, perdoado, e não há nada que eu possa fazer para perder essa aceitação.

Deus sabia exatamente o que estava fazendo quando criou cada um de nós. Não existem acasos. Precisamos que cada um abrace sua verdadeira identidade, quem cada um é em Cristo, deixando que essa nova consciência transforme sua vida.

É isso que Jesus tem em mente.

É isso que traz o Céu à Terra.

Eu estava tomando café da manhã com meu pai e filho mais novo no Real Food Café, na avenida Eastern, bem ao sul de Alger, em Grand Rapids, Michigan. Estávamos terminando a refeição quando notei que a garçonete pegou nosso cheque, levou-o, depois trouxe de volta. Colocou-o na messa, sorriu, e disse:

Alguém aqui no restaurante pagou o café de vocês. Está tudo certo.

Disse isso e saiu.

Tive a sensação mais estranha naquela ocasião. A sensação era de dependência. Não havia nada que eu pudesse fazer. Alguém já havia tomado providência. Insistir em pagar a conta seria inútil. Tudo que eu podia fazer era confiar que o que a garçonete disse era verdade, verdade mesmo, e viver essa verdade. O que significava levantar e sair do restaurante. Meu reconhecimento do que ela havia dito me deu uma escolha: sair acreditando que era verdade, ou criar minha própria realidade, na qual a conta não tinha sido paga.

Este é nosso convite.

Confiar que não devemos nada. Confiar que algo sobre nós já é verdade, uma coisa já foi feita, algo que sempre existiu.

Confiar que a graça paga a conta."

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Identidade


Olá mais uma vez, queridos :D

No post "Raison d'Être", vimos um pouco sobre como o conceito do que é ser cristão tem sido um pouco distorcido...

A questão é que não para por aí.

Quem já viu Constantine?

Sabe, eu acho que aquele filme até que mostra muito bem o que é que Satanás faz.

Demônio não mata, Cristo se certificou disso.

Mas eles mentem.

Nos nossos ouvidos.

E, nós acreditamos.

E aí, as coisas se "deturpam", identidades são alteradas...

Sexo? Criado pra ser uma benção, mas...

Família? Outra maravilha... mas hoje é vista com mal olhos...

Ciúme? Aquele sentimento maravilhoso de proteção que a Bíblia me garante que Deus sente por mim? Quando foi que isso virou sinônimo de desconfiança?

Pastor? Aquele conceito de mestre que guia e cuida de outros? Erh, na verdade hoje é sinônimo de ladrão manipulador...

A autoridade do homem? Incrível como de responsabilidade de amar uma mulher, nós conseguimos transformar isso no "machismo".

Um dos meus autores favoritos, Philip Yancey, crê que praticamente todas as palavras do mundo foram distorcidas. Ele defende que a palavra "graça" é uma das últimas "palavras perfeitas", que você não tem como olhar pra ela e interpretar errado...

Eu não sou tão otimista. Até mesmo o conceito de "graça" anda se perdendo... Afinal, "se conselho fosse bom a gente não dava de graça... vendia!" Né?

Então...

Satanás mente.

Ele... deturpa.

Altera... identidades, conceitos.

Algo simples então, que acontece diariamente, de consequências gigantes em nossas vidas, e que infelizmente não percebemos muito é que...

Satanás mente sobre as suas identidades, amados e amadas.

E, sobre a minha.

Sobre a nossa identidade.

Coisas comuns de se ouvir:

"Nós somos todos pecadores!"

"É o meu jeito, eu sou pecador mesmo, fazer o quê..."

"Eu sou assim..."

"Pra o que eu fiz não tem perdão..."

"Eu não consigo mudar..."

MENTIRA! MENTIRA! MENTIRA!

MEU DEUS, É TUDO MENTIRA!

Amados, deixa eu contar uma novidade...

Você não merece nada. Fato.

Você pecou. Fato.

Você nunca vai ser digno de salvação ou até mesmo do amor de Cristo. Fato.

E DAÍ?

ELE MORREU MESMO ASSIM.

E FOI POR VOCÊ.

E POR MIM.

FOI POR TODOS SEM EXCEÇÃO.

A questão não é se Ele te perdoa ou não, se Ele morreu por você ou não...

A questão é se você aceita e vive isso.

Se me permitem citar o Pr. Rob Bell...

"O Céu está cheio de pessoas perdoadas.

O inferno está cheio de pessoas perdoadas.

O Céu está cheio de pessoas que Deus ama, por quem Jesus morreu.

O inferno está cheio de pessoas que Deus ama, por quem Jesus morreu.

A diferença é como decidimos viver, que história decidimos viver, em que versão da realidade nós confiamos.

A nossa ou a de Deus."

A questão não é se Deus ama e perdoa você ou não.

A questão é... você crê? Você REALMENTE crê? Você VIVE isso?

Eu pergunto isso por um motivo...

Porquê aquelas afirmações absurdas e desculpas esfarrapadas ali em cima não são palavras de descrentes apenas, mas, palavras que infelizmente saem da boca dos que se dizem filhos...

Sim, infelizmente.

É muito TRISTE que um Cristão pense dessa forma...

É uma triste mentira.

Essa não é a história que Cristo conta sobre você e eu, meu querido.

Essa não é a realidade que Ele projeta para nós.

Essa não é a nossa identidade.

Satanás está mentindo (o que ele faz de melhor) nos nossos ouvidos e... quantas vezes nós temos acreditado?

"Eu não consigo mudar..."

"Eu sou assim..."

"É o meu jeito..."

"Eu sou pecador..."

Você já mudou.

Não, esse não é o seu jeito. É o jeito da velha criatura.

Não, você não é mais pecadora ou pecador. Vocês são santos lutando contra o pecado.

2 Coríntios 5:17
"Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo."

Meus amados... Saulo era um fariseu, hipócrita, assassino.

Esse era o jeito dele. Esse era o pecador. Ele era assim.

Paulo foi um santo, missionário, que afirmou "já não vivo eu, mas Cristo vive em mim".

Saulo não é Paulo.

SAULO NÃO É PAULO!

EU NÃO SOU MAIS QUEM EU ERA!

VOCÊ NÃO PRECISA SER O MESMO!

Eis que tudo se fez novo...

Tudo...

Para de ouvir essas mentiras...

Você não é assim...

Esse não é seu jeito...

Você não precisa fazer essas coisas...

Você não precisa comer as bolotas dos porcos...

Papai está esperando de braços abertos em casa, com novas vestes e um banquete pra você...

Por quê você insiste em ficar na lama?

Você, você aí...

Eu já tive um vislumbre de quem você é...

E você é lindo.

E você é linda.

E o que eu tive foi mero vislumbre, pois você pode ser mais!

Por quê Deus, que é TEU PAI, é Infinito. Ele sempre pode fazer mais. E mais. E mais.

Pra quê a máscara de "velha criatura"? A nova é muito mais bonita...

NÃO ACREDITE NAS MENTIRAS!

VOCÊ NÃO É ASSIM!

Você é muito mais...

Deixa eu te mostrar um pouco mais de quem você é?

Efésios 1:3-4
"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor."

Romanos 8:28-29
"E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.

Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos"

Deuteronômio 18:13
Perfeito serás, como o SENHOR teu Deus.”

Mateus 5:48
"Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial."

Essa é a identidade que Cristo te deu.

Tira essa máscara...

Você é muito mais bonita sem ela...

Você é muito mais bonito sem ela...

Abandona esses trapos de "velha criatura"...

Para de ouvir as mentiras.

Papai não quer saber do que você fez enquanto estava fora...

Ele quer você aqui na mesa, comendo desse jantar maravilhoso e com aquela túnica nova (pra ficar mais bonito/bonita ainda)...

Você não nasceu pra ficar comendo ração de porcos e se sujando na lama.

Para com isso.

Não faz bem pra você, nem pra mim, nem pra Papai.

Eu já disse que não faz bem pra você?

Você é povo eleito, ENXERGUE isso e aja como tal...

Colossenses 3:12
"Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade; suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.

E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição.

E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos."

Santos.

Amados e amadas.

Eleitos, escolhidos, não rejeitados.

Apenas aceite o que está sendo te oferecido, sede gratos...

E ajam de forma condizente com sua NOVA realidade...

NOVA.

Sim, as coisas velhas se passaram...

Tudo se fez novo...

Você não é "assim".

Esse não é "seu jeito".

Você é, e pode ser, melhor ainda.

Você é santa.

Você é santo.

Assumam suas novas identidades.

Dê adeus à velha.

Toma essa túnica, se reveste dela, vem pro banquete.

PARE DE OUVIR AS MENTIRAS.

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P.S. Não me vem com história de que "Deus me ama como eu sou". Sim, Deus te ama como você é... mas te ama demais pra te deixar assim.
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Um presente...

Pra quando você se pegar num daqueles dias em que você sabe que "a velha criatura" tá querendo dar as caras e se encontrar tendo "problemas de identidade"...

Casting Crowns - Who am i?



"You told me who i am...
I am yours..."

(Você me disse quem eu SOU...

Eu sou TEU...)

Casting Crowns - East to West




"I know You've washed me white, turned my darkness into light...
I know You've cast my sin as far as the east is from the west...

Jesus can You show me just how far the east is from the west?

Cause I can't bear to see the man I've been come rising up in me again...

You know just how far the east is from the west...
From one scarred hand to the other..."

(Eu sei que você me lavou, transformou minhas trevas em luz...

Eu sei que você atirou meu pecado para tão longe quanto o ocidente é do oriente...

Jesus, você pode me mostrar o quão longe o ocidente é do oriente?

Pois eu não aguento ver o homem que eu já fui aparecendo em mim novamente...

Você sabe o quão longe o ocidente é do oriente...
De uma mão cicatrizada à outra...)

domingo, 11 de janeiro de 2009

A Lei e os Profetas (dependem do amor)



Para acompanhar o post passado, a seguinte música de Luke Wood (ministro da International House of Prayer):

Though I speak with the tongues of men and angels
Though I have the faith to move the mountain
If I don't have love, what have I?
What is sown in love will never be taken away
Love is the currency of heaven forever
If I don't have love, what have I?

All the Law and the Prophets hang on love
It's what holds it all together

Love will never fall away

Love is the very flame of God
Many waters cannot quench love


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Um álbum contendo essa música pode ser baixado gratuitamente do site da IHOP aqui.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Raison d'Être/Razão de ser/Cristão.

Olá, amados :) Como vão todos?

Saudades disso tudo.

Mas, vamos ao ponto.
(Leitura um pouco longa à frente. Peço paciência :x )

Muitos dos queridos talvez não saibam, mas escritor de blog é mortal e pecador como todos, eu incluso. E em tempos recentes estive me lembrando da epóca em que me "desviei" da Igreja...

Eu lembro que dizia pra Deus:

"Pai, eu te amo, mas foi mal, não consigo amar meus irmãos".

Obviamente, se eu me afastei, eu não somente não amava meus irmãos como também não amava Deus coisíssima nenhuma.

A nossa fé tem que ser independente das pessoas... afinal... todos somos falhos, não?

Toda aquela coisa de prosseguir para O Alvo deixando TODO o resto para trás e tudo mais.

Mas bem, o que é que eu via nas pessoas nessa época que me dava tanto... nojo?

Falta de caráter.

Hipocrisia.

Falta de amor.

(Não que eu fosse diferente.)

E aí, como disse, recentemente me peguei lembrando disso...

Comecei a me questionar...

O que nós que nos dizemos Cristãos, temos usado como "fator definidor" da "nossa fé"?

O que é que nos diferencia dos demais?

E, o que é que DEVERIA nos diferenciar?

Eu acho que a maior parte das pessoas vê "evangélicos" como uma espécie de católico herege que não gosta de maria (que na verdade temos mais é que amar) e "dá dinheiro pra pastor roubar".

Ou, em face de novas "correntes", também podemos ser vistos como "aqueles interesseiros que só vão pra Igreja pra orar por dinheiro e prosperidade". Ou, ainda mais, "aqueles malucos que dizem que amam Deus mas mais parecem bruxos que vivem falando numa lingua estranha ae e fazendo todo tipo de ritual bizarro".

Era essa a imagem que Cristo "projetou" pra nós?

Tem "algo" errado nessa história.

Como estudante de Direito, dia desses estava lendo um texto sobre "Direito e Processo", no qual um dos pontos mais interessantes era a questão de como o Direito é apenas ferramenta para se atingir um alvo. Que o Direito só tem sentido enquanto a razão pelo qual foi criado é atendida, e portanto o Direito tem que se adaptar à Sociedade e tudo mais para melhor atendê-la. E aí vinha o questionamento sobre os Juristas que estavam fazendo a sociedade servir ao Direito ao invés do contrário. E, isso obviamente estava errado. A sociedade é a "raison d'être" do Direito, e não o contrário. um Direito que não atende a sociedade não tem necessidade de existir...

Agora vamos mudar o cenário.

Cristo é a "raison d'être" da Igreja.

A Igreja existe para servir e representar Cristo nessa Terra.

Uma Igreja que não faz isso, não tem necessidade de existir.

A bem de verdade, tal "Igreja", para Deus, nem existe.

Como anda a sua Igreja, amado?

Como anda... você?

Qual a sua "raison d'être"?

Examinemo-nos.

2 Coríntios 13:5
"Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados."

Eu me pergunto se Cristo ainda é o alvo...

Será que não estamos usando Cristo como "ferramenta" para argumentar o nosso gosto pelo "místico"?
Será que não estamos usando Cristo como "ferramenta" para conferir crédito à nossa própria espécie de "bruxaria"?
Será que não estamos usando Cristo como "ferramenta" para barganhar uma melhor vida material?
Será que não estamos usando Cristo como "ferramenta" para "validar" os nossos pontos de vista políticos?
Será que não estamos usando Cristo como "ferramenta" para conseguir uns amigos mais comportadinhos?
Será que não estamos usando Cristo como "ferramenta" para apenas fazer uma panelinha diferente?
Será que não estamos usando Cristo como "ferramenta" para fazer sensacionalismo e gerar ibope na TV?
Será que não estamos usando Cristo como "ferramenta" para pegar dinheiro de besta?

Ah, essa é a parte que eu lembro que Cristo não é ferramenta.

Nós somos.

Ah, agora é a parte que eu questiono outra coisa...

Nós estamos cumprindo nosso "propósito"?

Afinal, uma ferramenta que não cumpre seu "propósito", que foge da sua "raison d'être", não tem necessidade de existir...

Será que nós fomos "criados" para todos esses pontos levantados?

O que é que realmente deveria nos identificar como Cristãos?

Vamos ver o que A Palavra fala sobre isso...

Efésios 1:3-4
"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor."

Santos, irrepreensíveis em amor.

Se alguém achar a parte da Bíblia que diz que Deus nos criou para sermos ricos, pode mandar.

Ah, se acharem a parte que fomos criados para falar em línguas, também pode me mandar.

CALMA!

Eu não estou dizendo que existe algo errado com o "falar em línguas" ou qualquer outro "dom espiritual"...

Apenas questiono...

Eles são o alvo?

Ou, apenas ferramentas, distribuídas de forma diferente, para cada um, segundo Deus achar mais "conveniente" para se atingir um fim?

Ferramentas.

Favor ler 1 Co. 12.

O que eu sinceramente creio que deveria nos definir como Cristão, e que o mundo não tem visto na "Igreja" é...

Ser imitador de Cristo.

E em quê isso implica...

Bem, nós não exatamente temos a natureza Divina de Cristo. Não nascemos sem pecado, não temos a mesma intimidade com o Pai, não cumprimos uma série de profecias e tudo mais. Mas, esse mesmo Cristo disse que faríamos obras maiores do que as dEle... como?

Bem, eu acho que há um ponto de fácil identificação no qual podemos imitar Cristo...

No caráter.

E qual o grande "fato definidor" do caráter de Cristo?

Pra mim...

O amor.

Cristo amou. Até as últimas consequencias.

Aos meus olhos, o tal amor é "a essência" do "Cristianismo".

É o ponto chave.

Não há "cristianismo" sem amor.

"... santos e irrepreensíveis diante dele em amor."

Predestinados para isso.

Feitos para isso.

A NOSSA RAISON D'ÊTRE.

O resto filhos... é resto.

Inclusive dom espiritual.
Inclusive prosperidade.
Inclusive mega-templo.
Inclusive sua denominação.
Inclusive sua "religião".
Inclusive o seu ponto de vista.
Inclusive o seu partido político.
Inclusive os seus gostos e vontades.

Inclusive o seu ministério.

Todo o resto é... resto.

Todas essas coisas podem ser ferramentas. Mas só Cristo é O Alvo. E a vontade dEle para nossa vida é diferente das ferramentas pelas quais isso pode ser alcançado...

Não vamos "trocar as bolas".

1 Co 13:1-3
"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria."

Destaque para o "nada seria", e, "nada disso me aproveitaria".

Mais a frente fala o seguinte:

"...mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá..."

Diferente de...

"Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado... permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor."

Interessante não?

Outro texto que já apareceu por aqui e que eu gostaria de re-lembrar...

Mateus 25:31-46
"E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda.

Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me.

Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?

E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.

Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes.

Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?

Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim.

E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna."

Qual a grande característica das "ovelhas"?

Novidade...

Amor.

Sabe amados, uma vez perguntaram a Cristo "qual é o grande mandamento?"

A resposta foi...

Mateus 22:35-38
"E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

Este é o primeiro e grande mandamento.

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas."

De amor depende tudo?

A gente vive dizendo que ama Deus né...

Jo 15:10
"Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor."

Ah, aqueles mandamentos de... amar?

Opa, e sabe aquela coisa de amar como a si mesmo? Isso na verdade tá meio "ultrapassado"...

Jo 13:34
"Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outrosvos ameis."

Novo mandamento. Novo.

Como EU vos amei a vós. EU.

O amor daquele que...

Filipenses 2:6-7
"...sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo..."

Aquele que se fez servo.

E voltando para toda a questão do que um identifica um Cristão...

Lá em João, pouco depois de dar "o novo mandamento", sabe o que Cristo disse pros discípulos?

Jo 13:35
"Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros."

Nisto saberão que são meus discípulos. Nisto saberão que são CRISTÃOS.

Se vos amardes...

Sabe irmãos...

Nada restará, de nada vos adiantará...

Se não houver amor.

O que separa as ovelhas dos cabritos é amor...

Não adianta você dar oferta de milhões de rais.

Não adianta você falar em línguas.

Não adianta nem você evangelizar se seu coração não estiver no lugar certo...

Mateus 7:21-23
"Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino de Deus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos Céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade!"

Irmãos...

Nunca se tratou do que nós fazemos ou deixamos de fazer...

Deus quer saber do seu coração.

O seu coração... ama?

Como nós temos vivido?

Quais as razões por trás dos nossos atos?

O que é que nós temos almejado?

Será que não estamos trocando as "ferramentas" de lugar com "o alvo"?

Será que não temos "trocado as bolas"?

Será que a "Igreja" ainda cumpre com sua "raison d'être"?

Analizemo-nos...

2 Coríntios 13:5
"Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados."

Uma das ferramentas que eu tenho achado para ME analizar é algo bem simples...

O bom e velho...

"A boca fala daquilo que o coração está cheio"

É uma dica.

Não é nem de longe a única forma de se analizar mas... é uma dica.

Por quê você se levanta a cada manhã amado?

Pelo que você anseia diariamente?

O que te leva a fazer o que você faz?

Qual o assunto das suas conversas?

QUAL A SUA RAISON D'ÊTRE?

O tempo está passando e o nome de Cristo está sendo sujo por pessoas que usam o rótulo de Cristão mas não vivem o Cristianismo do próprio Cristo. Não sejamos nós também responsáveis por essa heresia.

Sejamos verdadeiros...

Cristãos.